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Adquirente

Adquirente: empresa que processa pagamentos com cartão para lojistas. Entenda o papel de Cielo, Rede e Stone no sistema financeiro brasileiro.

15/01/2026 6 min de leitura

O adquirente é a empresa responsável por capturar, processar e liquidar as transações realizadas com cartão de crédito ou débito junto aos estabelecimentos comerciais. No Brasil, os adquirentes mais conhecidos são Cielo, Rede e Stone, mas existem dezenas de players no mercado. Sem o adquirente, seria impossível um lojista aceitar pagamentos eletrônicos: é essa empresa que fornece a maquininha, processa o pagamento e garante que o dinheiro chegue à conta do comerciante.

Como funciona o adquirente

Quando um consumidor passa o cartão em uma loja, uma série de comunicações acontece em frações de segundo. O adquirente é a primeira peça desse processo do lado do comerciante. Entender cada etapa ajuda a compreender por que o lojista paga taxas e quanto tempo leva para receber o pagamento.

O fluxo básico funciona assim:

  1. O cliente apresenta o cartão na maquininha do lojista, que é operada pelo adquirente.
  2. O adquirente captura os dados da transação e os envia para a bandeira (Visa, Mastercard, Elo, etc.).
  3. A bandeira encaminha a solicitação ao banco emissor do cartão do cliente.
  4. O banco emissor verifica o limite disponível, os dados de segurança e aprova ou recusa a transação.
  5. A resposta volta pelo mesmo caminho: banco emissor > bandeira > adquirente > maquininha.
  6. Todo esse processo ocorre em menos de cinco segundos.

Após a aprovação, o adquirente realiza a liquidação financeira: coleta o valor das transações processadas e repassa ao lojista, descontando as taxas pactuadas.

Diferença entre adquirente, bandeira e emissor

Esses três atores formam o núcleo do sistema de pagamentos com cartão, e confundi-los é um erro comum.

O emissor é o banco ou instituição que emite o cartão ao consumidor — Itaú, Bradesco, Nubank, por exemplo. Ele concede o crédito, define o limite e cobra a fatura.

A bandeira (Visa, Mastercard, Elo, American Express) é a rede que interliga emissores e adquirentes, define as regras do sistema e garante a interoperabilidade global.

O adquirente é quem serve o lojista: fornece o terminal de pagamento, processa as transações e repassa os valores. Cielo, Rede, Stone, PagSeguro, Getnet e Mercado Pago são exemplos de adquirentes brasileiros.

Taxas cobradas pelo adquirente: MDR e outras

A principal taxa que o lojista paga ao adquirente é o MDR (Merchant Discount Rate), ou taxa de desconto do lojista. Ela é calculada como percentual sobre cada transação aprovada e varia conforme:

  • A bandeira do cartão (Elo costuma ter taxas diferentes de Visa ou Mastercard);
  • O tipo de cartão (crédito à vista, crédito parcelado, débito);
  • O segmento do lojista (supermercados negociam taxas menores que pequenos comerciantes);
  • O volume de vendas mensais.

Em 2025, as taxas médias para débito ficavam entre 1,4% e 1,8%. Para crédito à vista, entre 2,5% e 3,5%. Para crédito parcelado, as taxas tendem a ser mais elevadas, pois o adquirente adianta o valor ao lojista antes de receber as parcelas do emissor.

Além do MDR, o lojista pode pagar:

  • Aluguel da maquininha (quando não é adquirida);
  • Taxa de antecipação, quando o comerciante quer receber antes do prazo padrão de D+30 ou D+14;
  • Tarifa de cancelamento de transação em alguns contratos.

Prazo de recebimento

O prazo de liquidação padrão no Brasil para crédito à vista é de 30 dias (D+30) a contar da data da compra. Para débito, o padrão é D+1 ou D+2. Muitos adquirentes oferecem a antecipação de recebíveis, que permite ao lojista receber em D+1 mesmo para vendas no crédito, mediante o pagamento de uma taxa adicional.

Desde a regulamentação do Banco Central com as Resoluções do CMN sobre arranjos de pagamento, a agenda de recebíveis tornou-se um ativo financeiro do lojista, podendo ser usado como garantia em operações de crédito. Isso foi um avanço significativo para a gestão financeira das pequenas e médias empresas.

O mercado de adquirência no Brasil

Durante muitos anos, o mercado de adquirência no Brasil foi dominado pelo duopólio Cielo (controlada por Bradesco e Banco do Brasil) e Rede (controlada pelo Itaú). A exclusividade de bandeiras que cada adquirente detinha limitava a concorrência e mantinha as taxas elevadas para os lojistas.

Em 2010, o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinaram o fim dessa exclusividade, abrindo o mercado para novos entrantes. Desde então, Stone, PagSeguro, Getnet (Santander), Mercado Pago, InfinitePay e dezenas de outros players entraram no setor, levando a uma queda expressiva nas taxas e a uma melhora nos serviços.

A Febraban e o Banco Central monitoram o setor por meio do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), garantindo que as transações sejam processadas com segurança e que as regras de liquidação sejam cumpridas.

Impacto para o consumidor

Embora o consumidor não interaja diretamente com o adquirente, as taxas cobradas dos lojistas afetam os preços praticados no varejo. Estabelecimentos que pagam taxas mais altas tendem a embutir esse custo nos preços ou a oferecer descontos para pagamento em dinheiro ou Pix.

Com a popularização do Pix — que não envolve adquirentes e tem custo zero para o consumidor pessoa física — muitos lojistas passaram a incentivar esse meio de pagamento, o que gerou pressão adicional sobre os adquirentes para reduzirem suas taxas.

Erros comuns dos lojistas ao escolher um adquirente

Focar apenas na taxa do MDR: a taxa é importante, mas o prazo de recebimento, a estabilidade do sistema e o suporte técnico também pesam muito, especialmente para negócios com alto volume de vendas.

Não comparar o custo total: um adquirente com MDR menor pode cobrar mais pelo aluguel da maquininha ou pela antecipação de recebíveis. A comparação deve ser feita sobre o custo total da operação.

Não renegociar periodicamente: à medida que o volume de vendas cresce, o lojista tem poder de barganha para exigir taxas menores. Muitos comerciantes mantêm os mesmos contratos por anos sem renegociar.

Ignorar a segurança: adquirentes certificados pela PCI DSS (Payment Card Industry Data Security Standard) oferecem maior proteção contra fraudes e vazamento de dados. Sempre verifique essa certificação.

Perguntas frequentes sobre adquirentes

O lojista pode usar mais de um adquirente ao mesmo tempo? Sim. Desde o fim das exclusividades de bandeira, lojistas podem contratar múltiplos adquirentes e usar aquele com melhor taxa para cada bandeira. Isso é chamado de multiadquirência.

O que acontece se o adquirente recusar uma transação? Se a recusa for do adquirente (não do banco emissor), o problema costuma ser técnico — instabilidade do sistema, falha de comunicação. Tente novamente ou use outro adquirente.

Adquirente e subadquirente são a mesma coisa? Não. O subadquirente (como PicPay em algumas operações) não tem relação direta com as bandeiras e processa transações por meio de um adquirente principal. Isso pode resultar em prazos de recebimento mais longos para o lojista.

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Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras.

Aviso Legal: Este conteúdo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras. As informações apresentadas podem não refletir as condições atuais dos produtos financeiros mencionados.

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