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Chargeback

Chargeback: como contestar cobranças indevidas no cartão de crédito, prazos, direitos do consumidor e como lojistas podem se proteger no Brasil.

15/01/2026 6 min de leitura

O chargeback é o processo de contestação e reversão de uma cobrança realizada no cartão de crédito ou débito. Quando um consumidor identifica uma transação que não reconhece, uma cobrança duplicada, um produto que nunca foi entregue ou qualquer outro problema com uma compra, pode solicitar ao banco emissor a reversão daquele valor. O chargeback é um mecanismo de proteção ao consumidor previsto nas regras das bandeiras de cartão e respaldado pelo Código de Defesa do Consumidor brasileiro.

Como funciona o processo de chargeback

O processo de chargeback envolve várias partes e segue um fluxo regulado pelas bandeiras (Visa, Mastercard, Elo, etc.):

  1. Identificação do problema: o portador identifica na fatura uma cobrança indevida, não reconhecida ou relativa a uma compra com problemas.
  2. Contato com o emissor: o consumidor aciona o banco emissor do cartão, seja pelo aplicativo, pela central de atendimento ou pelos canais digitais, informando o motivo da contestação.
  3. Abertura do processo: o banco registra a reclamação e, em muitos casos, realiza o crédito provisório do valor contestado na conta do consumidor enquanto a investigação ocorre.
  4. Notificação ao adquirente e ao lojista: o banco emissor comunica a contestação ao adquirente (empresa que processa os pagamentos do lojista), que por sua vez notifica o estabelecimento comercial.
  5. Defesa do lojista: o lojista tem um prazo para apresentar documentação comprovando que a transação foi legítima — nota fiscal, comprovante de entrega, assinatura do cliente, etc.
  6. Decisão final: com base nas evidências, o banco emissor ou a bandeira decide se o chargeback é procedente (valor devolvido ao consumidor) ou improcedente (valor mantido com o lojista).

Todo o processo pode levar de 30 a 120 dias, dependendo da bandeira e da complexidade do caso.

Motivos válidos para solicitar chargeback

As bandeiras categorizam os chargebacks por motivo. Os mais comuns incluem:

Fraude: transação realizada sem autorização do portador, geralmente resultado de clonagem de cartão, phishing ou roubo de dados.

Transação não reconhecida: o portador não identifica a cobrança e não consegue associá-la a nenhuma compra realizada. Pode ser fraude ou simplesmente um nome de empresa diferente do conhecido.

Produto ou serviço não entregue: a compra foi realizada, o pagamento foi processado, mas o produto nunca chegou ou o serviço não foi prestado.

Produto diferente do anunciado: o bem recebido é substancialmente diferente do que foi descrito na venda.

Cobrança duplicada: o valor foi cobrado mais de uma vez para a mesma transação.

Cancelamento não processado: o consumidor cancelou a compra dentro do prazo legal, mas o lojista não realizou o estorno.

Prazos para solicitar chargeback

Os prazos variam conforme a bandeira, mas em geral o consumidor tem entre 60 e 120 dias a partir da data da transação para solicitar o chargeback. Para alguns motivos específicos, como fraude, o prazo pode ser contado da data em que o portador tomou conhecimento da cobrança indevida.

É importante agir rapidamente. Deixar passar o prazo pode inviabilizar o processo. Ao identificar qualquer cobrança suspeita na fatura, entre em contato com o banco imediatamente.

Direitos do consumidor no Brasil

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) ampara diversas situações que podem fundamentar um chargeback. O artigo 49 do CDC garante o direito de arrependimento em compras realizadas fora do estabelecimento comercial (incluindo internet), no prazo de 7 dias corridos, com devolução integral do valor pago.

O artigo 18 trata de vícios nos produtos e o artigo 20, de defeitos nos serviços. Em ambos os casos, o consumidor tem o direito à substituição do produto, abatimento proporcional do preço ou restituição do valor.

A Resolução BCB n.º 4/2013 e as normas subsequentes do Banco Central estabelecem obrigações de atendimento e prazo de resposta para as instituições financeiras em casos de contestação de transações.

Impacto do chargeback para os lojistas

Para os estabelecimentos comerciais, o chargeback representa um risco financeiro significativo. Quando um chargeback é julgado procedente, o lojista:

  • Perde o valor da venda;
  • Pode não recuperar o produto já entregue;
  • Paga uma tarifa de chargeback cobrada pelo adquirente (que pode variar entre R$ 20 e R$ 100 por ocorrência);
  • Em casos de alto índice de chargeback, pode ter o credenciamento suspenso pelo adquirente.

As bandeiras monitoram o índice de chargeback dos lojistas. Quando esse índice supera determinados percentuais (geralmente acima de 1% das transações), o estabelecimento pode ser enquadrado em programas de monitoramento e sofrer restrições operacionais.

Como os lojistas se protegem do chargeback

Para reduzir a exposição ao chargeback, os comerciantes adotam várias práticas:

Autenticação robusta: uso de 3DS (3-D Secure), que adiciona uma camada de autenticação nas compras online, transferindo a responsabilidade pela fraude para o emissor quando o processo é seguido corretamente.

Análise antifraude: sistemas automatizados que analisam padrões de comportamento e identificam transações suspeitas antes de aprová-las.

Documentação completa: manter registros de pedidos, confirmações de entrega assinadas, logs de acesso e toda a trilha da transação facilita a defesa em caso de contestação.

Política de cancelamento clara: ter uma política de devolução e cancelamento bem definida e visível reduz os chargebacks por insatisfação do cliente.

Chargeback amigável (representação): quando o lojista tem evidências sólidas de que a transação foi legítima, pode contestar a decisão do chargeback, apresentando a documentação ao adquirente dentro do prazo estabelecido.

Chargeback fraudulento (friendly fraud)

Um problema crescente no e-commerce brasileiro é o “friendly fraud” (fraude amigável): situações em que o consumidor realiza a compra, recebe o produto ou serviço, e ainda assim contesta a cobrança alegando fraude ou não recebimento. Trata-se de uma prática ilegal que prejudica os lojistas e encarece o sistema de pagamentos para todos.

As bandeiras têm investido em mecanismos para identificar esses padrões, e lojistas com documentação adequada conseguem reverter esses chargebacks com maior frequência.

Erros comuns ao solicitar chargeback

Solicitar chargeback sem antes tentar resolver com o lojista: em muitos casos, o problema pode ser resolvido diretamente com o comerciante de forma mais rápida e simples. Isso é especialmente válido para casos de produto com defeito ou atraso de entrega.

Confundir chargeback com estorno: o estorno é feito pelo próprio lojista, que devolve o valor ao emissor voluntariamente. O chargeback é uma contestação formal iniciada pelo consumidor. São processos distintos.

Não guardar os comprovantes: ao solicitar um chargeback, é importante ter evidências que sustentem a reclamação — capturas de tela da compra, e-mails do lojista, comprovante de cancelamento, etc.

Perguntas frequentes sobre chargeback

Qual é o prazo para o banco resolver meu chargeback? O Banco Central estabelece que as instituições devem responder às reclamações de transações não reconhecidas em até 7 dias úteis para análise inicial. O processo completo de chargeback, com resposta do lojista, pode levar de 30 a 120 dias.

Se eu solicitar chargeback, vou receber o dinheiro de volta? Em muitos casos, o banco faz um crédito provisório enquanto investiga. Se o chargeback for julgado procedente, o crédito se torna definitivo. Se for improcedente, o valor é revertido.

Chargeback afeta meu score de crédito? O ato de solicitar um chargeback legítimo não afeta o score. Porém, se houver contestações frequentes sem fundamento, o banco pode sinalizar o comportamento, o que pode impactar o relacionamento com a instituição.

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Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras.

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