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Chip e NFC

Chip EMV e NFC em cartões de crédito: como funcionam, por que são mais seguros que a tarja magnética e como usar pagamentos por aproximação.

15/01/2026 7 min de leitura

O chip e o NFC (Near Field Communication, ou Comunicação de Campo Próximo) são as duas principais tecnologias de segurança e conveniência presentes nos cartões de crédito e débito modernos. Enquanto o chip é o microprocessador dourado visível na frente do cartão, o NFC permite pagamentos por aproximação sem contato físico com a maquininha. Juntos, essas tecnologias transformaram a experiência de pagamento no Brasil e reduziram drasticamente os índices de fraude por clonagem de cartão.

O chip EMV: o que é e como funciona

O chip EMV recebe esse nome do consórcio que o criou: Europay, Mastercard e Visa, as três organizações que desenvolveram o padrão global em 1994. No Brasil, a adoção em massa do chip EMV ocorreu na década de 2010, quando o Banco Central do Brasil e a Febraban implementaram regulamentações para substituição progressiva da tarja magnética.

Por que o chip é mais seguro que a tarja magnética

A tarja magnética armazena os dados do cartão de forma estática — número, validade e CVV são sempre os mesmos, gravados na fita magnética. Isso significa que qualquer dispositivo capaz de ler a tarja pode copiar esses dados e criar um cartão clonado funcional.

O chip EMV funciona de forma radicalmente diferente. Ao ser inserido na maquininha, o chip gera um código de transação único e criptografado (chamado de criptograma), válido apenas para aquela operação específica. Mesmo que um fraudador intercepte esse código, ele não terá nenhuma utilidade para transações futuras — o próximo pagamento gerará um código completamente diferente.

Esse mecanismo é chamado de criptografia dinâmica e é o principal motivo pelo qual a clonagem de cartões com chip é praticamente inviável. Segundo dados do Banco Central do Brasil, a migração para chips EMV reduziu as perdas com fraude por clonagem em mais de 80% nos países que adotaram o padrão.

Como é o processo de pagamento com chip

  1. O portador insere o cartão na maquininha (não passa, insere);
  2. O chip se comunica com o terminal de forma criptografada;
  3. O terminal solicita a senha de 4 a 6 dígitos;
  4. O chip valida a senha e gera o criptograma único da transação;
  5. A transação é enviada ao banco emissor para autorização;
  6. O resultado (aprovado ou negado) retorna ao terminal em frações de segundo.

Todo esse processo, visível ao portador apenas como “inserir o cartão e digitar a senha”, envolve múltiplas camadas de criptografia e autenticação operando simultaneamente.

NFC: a tecnologia por trás do pagamento por aproximação

O NFC é um padrão de comunicação sem fio de curtíssimo alcance — até 4 centímetros. Essa limitação de distância é, ao mesmo tempo, uma característica técnica e uma medida de segurança: para que a comunicação ocorra, o dispositivo (cartão ou celular) precisa estar muito próximo do terminal.

Como funciona o pagamento por aproximação

O processo é semelhante ao do chip EMV, mas sem contato físico:

  1. O portador aproxima o cartão (ou o celular) ao terminal NFC;
  2. O chip NFC interno ao cartão transmite os dados criptografados ao terminal;
  3. Um criptograma único é gerado para aquela transação específica;
  4. A transação é processada e aprovada em menos de um segundo.

No Brasil, segundo regulamentação do Banco Central, transações por NFC acima de um valor-limite — atualmente R$ 200 por operação — exigem a digitação de senha como confirmação adicional. Abaixo desse valor, a transação é processada apenas com a aproximação.

Identificando se o cartão tem NFC

O símbolo do NFC é um conjunto de ondas curvas, semelhante ao símbolo de Wi-Fi girado 90 graus, geralmente impresso no verso ou na frente do cartão. Se o seu cartão não tiver esse símbolo, ele não suporta pagamentos por aproximação. Nesse caso, é possível solicitar ao emissor a emissão de um novo cartão com NFC ativo.

Segurança do NFC: mitos e realidade

Um medo comum é que criminosos com leitores NFC portáteis possam “roubar” dados do cartão apenas passando o leitor próximo ao bolso ou à bolsa. Na prática, esse risco é mínimo pelos seguintes motivos:

Alcance extremamente limitado: o NFC funciona a no máximo 4 cm. Aproximar um leitor de um cartão dentro de um bolso ou carteira, com múltiplas camadas de tecido e outros objetos entre eles, é tecnicamente muito difícil.

Criptograma único: mesmo que um dado seja interceptado, o criptograma gerado é válido apenas para aquela transação e não pode ser reutilizado.

Sem dados sensíveis transmitidos: os dados transmitidos pelo NFC são criptografados e tokenizados. O número real do cartão nunca circula em texto puro.

Para quem ainda preferir uma camada adicional de proteção, existem carteiras e capas com bloqueio de RFID/NFC no mercado, que impedem qualquer leitura sem contato.

Carteiras digitais: NFC aplicado ao smartphone

O NFC é também a tecnologia central das carteiras digitais como Google Pay, Apple Pay e Samsung Pay, amplamente disponíveis no Brasil. Quando você adiciona um cartão a essas plataformas, o emissor cria um número virtual (token) associado ao dispositivo específico.

Ao pagar com o celular aproximado à maquininha NFC:

  • O smartphone transmite o token criptografado, não o número real do cartão;
  • Mesmo que a maquininha seja comprometida, não há dados reais para ser capturados;
  • A autenticação ocorre pelo desbloqueio do celular (biometria, PIN ou face ID), adicionando uma camada extra de segurança que o cartão físico não tem.

No Brasil, o uso de carteiras digitais cresceu expressivamente desde 2020. A maioria das maquininhas modernas já aceita pagamento por NFC — tanto de cartão quanto de celular —, identificado pelo símbolo de ondas no terminal.

Chip e NFC no contexto brasileiro

O Brasil é considerado um mercado de referência global em adoção de tecnologias de pagamento. Segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), mais de 90% dos cartões em circulação no país já possuem chip EMV, e o pagamento por aproximação cresceu mais de 200% entre 2021 e 2024.

A Febraban e o Banco Central promovem ativamente a educação do consumidor sobre o uso correto dessas tecnologias, incluindo alertas sobre golpes que exploram a desinformação — como golpistas que afirmam “atualizar o chip” do cartão pela internet ou por telefone (o que é tecnicamente impossível).

Diferença entre chip, NFC e tarja magnética

TecnologiaComo usaSegurançaUso atual no Brasil
Tarja magnéticaPassa na lateralBaixa — dados estáticosEm extinção
Chip EMVInsere na maquininhaAlta — criptograma dinâmicoPadrão dominante
NFCAproxima ao terminalAlta — criptograma + tokenEm expansão acelerada
Carteira digital (NFC)Celular aproximadoMuito alta — token + biometriaCrescimento acelerado

Dicas práticas para usar chip e NFC com segurança

Nunca compartilhe sua senha: a senha é o componente humano da autenticação do chip. Nenhum banco ou funcionário legítimo pedirá sua senha.

Confira os valores no display antes de confirmar: antes de digitar a senha ou aproximar o cartão, verifique o valor exibido no terminal. Sempre.

Ative notificações de transação no app: receber um alerta no celular a cada compra permite identificar transações não reconhecidas em tempo real.

Cuidado com maquininhas adulteradas: golpistas instalam dispositivos (“chupa-cabra”) em terminais para capturar dados da tarja magnética. Use sempre o chip ou NFC, nunca a tarja, quando as três opções estiverem disponíveis.

Em caso de cartão perdido, bloqueie imediatamente: pelo aplicativo do banco, é possível bloquear o cartão em segundos. O bloqueio impede qualquer transação com chip, NFC ou tarja até que o cartão seja desbloqueado ou substituído.

Solicite cartão com NFC se o seu não tem: a maioria dos bancos emite novos cartões com NFC sem custo. Entre em contato com o emissor e solicite a atualização.

Perguntas frequentes sobre chip e NFC

Por que às vezes o cartão com chip precisa ser passado na tarja? Isso ocorre quando o terminal de pagamento não suporta chip EMV — situação cada vez mais rara no Brasil. Nesse caso, a tarja é um fallback (opção de contingência). No entanto, usar a tarja é menos seguro, e se acontecer com frequência, verifique se o terminal estava com problema técnico.

O NFC do celular pode ser hackeado para fazer pagamentos não autorizados? Para processar um pagamento via carteira digital no celular, é necessário desbloquear o dispositivo (biometria, PIN ou face ID). Sem esse desbloqueio, o NFC do celular não autoriza transações. Isso torna o pagamento pelo celular geralmente mais seguro do que o cartão físico.

Como saber se a maquininha aceita NFC? Procure o símbolo de ondas laterais no terminal de pagamento — o mesmo símbolo presente nos cartões e celulares com NFC. Terminais modernos como as maquininhas Cielo, Stone, Getnet e PagSeguro já suportam NFC amplamente.

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Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras.

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