Glossário

IOF

Entenda o que é IOF no cartão de crédito, quando é cobrado, quais as alíquotas e como reduzir esse custo nas suas transações. Saiba mais.

15/01/2026 7 min de leitura

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é um tributo federal brasileiro que incide sobre diversas operações financeiras, incluindo empréstimos, câmbio, seguros e operações com títulos. No contexto do cartão de crédito, o IOF aparece principalmente em compras internacionais, no crédito rotativo, em parcelamentos feitos pelo banco e em saques. Entender quando e como o IOF é cobrado é fundamental para calcular o custo real das suas operações com cartão.

O IOF está previsto no Decreto n.º 6.306/2007 e suas atualizações posteriores, que regulamentam o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários. É um imposto de competência exclusiva da União Federal, regulado e recolhido pela Receita Federal do Brasil. Suas alíquotas podem ser alteradas por decreto presidencial, sem necessidade de aprovação pelo Congresso — o que o torna um instrumento ágil de política econômica.

Quando o IOF É Cobrado no Cartão de Crédito

1. Compras Internacionais

Toda transação realizada em moeda estrangeira — seja no exterior durante uma viagem, seja em sites internacionais acessados do Brasil — está sujeita ao IOF de 3,38% sobre o valor convertido em reais. Esse percentual incide sobre a alíquota de câmbio praticada pelo emissor do cartão na data do processamento da transação.

Esse é o tipo de IOF mais visível para o consumidor brasileiro, pois aparece diretamente na fatura como um lançamento separado ou embutido no valor da compra convertida.

2. Crédito Rotativo

Quando o titular não paga o total da fatura e o saldo devedor migra para o crédito rotativo, incide o IOF de crédito sobre o valor financiado. A alíquota é composta por:

  • 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor (equivalente a aproximadamente 3% ao ano);
  • 0,38% fixo por operação (alíquota adicional cobrada no ato da contratação do crédito).

O IOF do rotativo é somado aos já altíssimos juros dessa modalidade — que superam 400% ao ano, conforme dados do Banco Central do Brasil —, tornando o custo total ainda mais elevado.

3. Parcelamento do Saldo Devedor pelo Banco

Quando o emissor oferece a opção de parcelar a dívida da fatura (em substituição ao rotativo, conforme exigido pela Resolução CMN n.º 4.965/2021), essa operação também está sujeita ao IOF de crédito nas mesmas alíquotas do rotativo: 0,0082% ao dia mais 0,38% fixo.

4. Saque com Cartão de Crédito

O saque em caixa eletrônico com cartão de crédito é, essencialmente, uma operação de crédito — você está pegando dinheiro emprestado do banco e pagando na fatura. Por isso, além dos juros cobrados pelo emissor a partir do dia do saque, incide o IOF de crédito: 0,0082% ao dia mais 0,38% fixo sobre o valor sacado.

Cálculo Prático do IOF

Exemplo 1 — Compra Internacional

Você compra um produto em site americano por US$ 300,00. O dólar está cotado a R$ 5,70 no dia do processamento:

  • Valor em reais (câmbio): R$ 1.710,00
  • Spread cambial do banco (estimativa de 3%): R$ 51,30
  • Base de cálculo: R$ 1.761,30
  • IOF de 3,38%: R$ 59,55
  • Total aproximado na fatura: R$ 1.820,85

Sem o IOF e o spread, a mesma compra custaria R$ 1.710,00. O custo extra é de R$ 110,85 — cerca de 6,5% acima do câmbio puro.

Exemplo 2 — Crédito Rotativo por 30 Dias

Você deixou de pagar R$ 2.000,00 da fatura e entrou no rotativo por 30 dias:

  • IOF fixo de 0,38%: R$ 7,60
  • IOF diário de 0,0082% x 30 dias = 0,246%: R$ 4,92
  • IOF total no período: R$ 12,52

Somado aos juros do rotativo (supondo 15% ao mês): R$ 300,00 de juros + R$ 12,52 de IOF = R$ 312,52 de encargos totais em apenas um mês.

Isenção de IOF: Existe?

Para compras nacionais à vista ou parceladas diretamente com o lojista (sem envolver crédito do banco), o IOF não incide. O IOF só é cobrado quando há uma operação de câmbio (compra internacional) ou de crédito (rotativo, parcelamento do banco ou saque).

Algumas fintechs brasileiras, como Nomad, Wise e Inter Global, oferecem cartões e contas em moeda estrangeira que permitem realizar compras internacionais sem o IOF de câmbio — pois a transação é liquidada diretamente em moeda estrangeira, sem conversão pelo emissor brasileiro. Essa é uma opção interessante para quem viaja frequentemente ou faz muitas compras em sites internacionais.

IOF e Política Econômica Brasileira

O IOF tem sido usado pelo governo federal como instrumento de política econômica, especialmente em momentos de pressão cambial. Em 2022, o governo anunciou a redução gradual do IOF sobre compras internacionais com cartão de crédito, com previsão de chegar a zero em 2028, como parte da unificação do mercado de câmbio promovida pelo Banco Central do Brasil.

No entanto, a alíquota pode ser alterada a qualquer momento por decreto presidencial. Por isso, é importante verificar a alíquota atual no site da Receita Federal ou do Banco Central antes de planejar gastos significativos no exterior.

A Febraban monitora regularmente o impacto do IOF sobre o custo do crédito e do câmbio para os consumidores brasileiros e publica relatórios periódicos sobre o tema.

IOF x Spread Cambial: Qual Custa Mais?

Muitos consumidores focam apenas no IOF ao avaliar o custo de uma compra internacional, mas o spread cambial — a diferença entre a taxa de câmbio comercial (divulgada pelo Banco Central) e a taxa praticada pelo banco emissor — também tem peso relevante.

Em geral, o spread dos bancos tradicionais varia entre 3% e 7% sobre o câmbio comercial. Somado ao IOF de 3,38%, o custo total pode facilmente superar 10% acima do câmbio puro. Fintechs especializadas em câmbio costumam oferecer spreads menores ou zerados, o que pode representar uma economia expressiva para quem gasta valores elevados no exterior.

Erros Comuns em Relação ao IOF

  1. Ignorar o IOF no planejamento de viagens: não considerar o IOF e o spread cambial pode resultar em gastos bem acima do orçamento previsto.
  2. Confundir IOF com tarifa bancária: o IOF é um imposto federal, não uma cobrança do banco. O spread cambial, sim, é uma cobrança do emissor.
  3. Não comparar cartões para uso internacional: a diferença de IOF e spread entre um cartão tradicional e uma fintech especializada pode ser de centenas de reais em uma viagem.
  4. Usar cartão de crédito para saque no exterior: além do IOF de crédito, os juros do saque são muito mais altos do que os de uma compra normal.

Dicas Práticas para Reduzir o Impacto do IOF

  • Use cartões de contas em moeda estrangeira (como Nomad ou Wise) para compras e viagens internacionais — podem eliminar o IOF cambial.
  • Evite o crédito rotativo: pagar a fatura integralmente elimina o IOF de crédito.
  • Não faça saques com cartão de crédito: use cartão de débito internacional ou contas em dólar para saques no exterior.
  • Monitore as alíquotas do IOF: o site da Receita Federal (receita.fazenda.gov.br) publica as tabelas atualizadas de alíquotas.
  • Planeje compras grandes no exterior: concentrar compras em momentos de câmbio favorável reduz o impacto do IOF sobre o valor final.

Perguntas Frequentes

O IOF aparece separado na fatura ou embutido na compra? Depende do emissor. Alguns bancos listam o IOF como um lançamento separado (por exemplo, “IOF s/ compra internacional”), facilitando a identificação. Outros emitem um único lançamento com o valor já convertido e o IOF incluído. Verifique a fatura com atenção e consulte o emissor se tiver dúvidas.

Se eu comprar em site estrangeiro que cobra em reais, pago IOF? Sim. Mesmo que o site exiba o preço em reais e processe o pagamento em reais, se o estabelecimento estiver sediado fora do Brasil, a transação é classificada como internacional e o IOF incide normalmente. Isso porque, para a bandeira e o emissor, a origem geográfica do estabelecimento é o critério determinante, não a moeda de cobrança.

Como o IOF é calculado em compras parceladas internacionais? O IOF de 3,38% incide sobre o valor total da compra no momento da conversão, não sobre cada parcela individualmente. O montante total do IOF é, então, dividido pelo número de parcelas e aparece proporcionalmente em cada uma. O valor em reais de cada parcela pode variar conforme o câmbio do dia de processamento de cada uma — o que é mais uma razão para acompanhar a fatura com atenção.

Termos Relacionados

  • Compra Internacional — principal situação em que o IOF aparece na fatura do cartão
  • Fatura — demonstrativo onde os lançamentos de IOF são registrados
  • Emissor — banco que recolhe o IOF e o repassa à Receita Federal
  • Data de Vencimento — atraso no pagamento ativa o rotativo, que também gera IOF adicional

Termos Relacionados

Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras.

Aviso Legal: Este conteúdo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras. As informações apresentadas podem não refletir as condições atuais dos produtos financeiros mencionados.

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