Glossário

Tokenização

Tokenização protege seus dados de cartão substituindo-os por códigos seguros: entenda como funciona essa tecnologia essencial nos pagamentos digitais.

15/01/2026 7 min de leitura

A tokenização é uma tecnologia de segurança que substitui os dados reais do cartão de crédito — número do cartão (PAN), data de validade e código de segurança (CVV) — por um código único e dinâmico chamado token. Esse token é utilizado para processar pagamentos sem que as informações sensíveis do titular sejam transmitidas ou armazenadas pelos estabelecimentos ou plataformas digitais durante a transação.

Considerada um dos avanços mais importantes em segurança de pagamentos das últimas décadas, a tokenização está no centro de tecnologias como carteiras digitais (Google Pay, Apple Pay, Samsung Pay), pagamentos por aproximação (NFC) e sistemas de assinatura recorrente em plataformas de streaming, e-commerce e aplicativos. No Brasil, sua adoção acelerou significativamente com a expansão dos pagamentos digitais e com o aumento das transações em ambiente online.

Como a tokenização funciona

O processo de tokenização envolve múltiplos agentes — o titular do cartão, o banco emissor, a bandeira do cartão (Visa, Mastercard, etc.) e a plataforma ou carteira digital — e segue uma sequência bem definida:

1. Cadastro do cartão: O titular insere os dados do cartão em uma carteira digital ou aplicativo. Esses dados são transmitidos de forma criptografada ao banco emissor e à bandeira.

2. Geração do token: O banco emissor e/ou a bandeira geram um token — um número único que substitui o número real do cartão. Esse token é vinculado a um dispositivo, plataforma ou canal específico. O mesmo cartão pode ter tokens diferentes para o Google Pay, o Apple Pay e um e-commerce, por exemplo.

3. Armazenamento seguro: O token é armazenado no dispositivo do consumidor (no chip seguro do celular, por exemplo) ou no servidor da plataforma. Os dados reais do cartão nunca são armazenados pelo estabelecimento ou carteira digital.

4. Uso na transação: Quando o consumidor realiza um pagamento, o token — não o número real do cartão — é transmitido ao estabelecimento e à operadora de pagamentos.

5. Validação: A operadora de pagamentos e o banco emissor validam o token, verificam a autenticidade da transação e autorizam ou recusam o pagamento. O estabelecimento nunca tem acesso ao número real do cartão.

6. Proteção contra interceptação: Mesmo que um agente malicioso intercepte o token durante a transmissão, ele não consegue utilizá-lo fora do contexto específico para o qual foi gerado — o token é vinculado ao dispositivo, à plataforma e muitas vezes ao valor da transação.

Por que a tokenização é mais segura do que o cartão físico

O cartão de crédito físico tradicional transmite os dados reais do cartão a cada transação — seja por leitura da tarja magnética, pelo chip EMV ou pela digitação dos dados em sites. Em todos esses casos, as informações reais circulam pela cadeia de pagamentos e podem ser interceptadas em caso de violação de segurança.

Com a tokenização:

  • Os dados reais do cartão nunca são transmitidos ao estabelecimento.
  • Em caso de vazamento de dados de um site ou loja, apenas o token específico daquela plataforma é comprometido — não o número real do cartão.
  • O token pode ser revogado e substituído sem necessidade de emitir um novo cartão físico.
  • Cada token é específico para um contexto (dispositivo + plataforma), impedindo seu uso em outros ambientes.

A Febraban destaca a tokenização como uma das principais ferramentas de redução de fraudes em pagamentos digitais no Brasil. Dados do setor apontam que pagamentos realizados via carteiras digitais com tokenização apresentam taxas de fraude significativamente menores do que pagamentos com dados do cartão físico inseridos manualmente.

Onde a tokenização é usada no Brasil

A tecnologia de tokenização está presente em diversas situações cotidianas do consumidor brasileiro:

Carteiras digitais: Google Pay, Apple Pay e Samsung Pay utilizam tokenização para todos os pagamentos. O número real do cartão nunca é armazenado no celular — o dispositivo guarda apenas o token.

Pagamentos por aproximação (NFC): Quando você aproxima o celular ou o smartwatch de uma maquininha, é o token que é transmitido, não os dados do cartão.

Assinaturas recorrentes: Plataformas de streaming, aplicativos de serviços e lojas virtuais que armazenam o cartão para cobranças recorrentes utilizam tokens para processar as transações mensais, sem manter o número real do cartão em seus servidores.

E-commerce com cartão salvo: Lojas virtuais que oferecem a opção de “salvar o cartão” para compras futuras utilizam tokens. O número que a loja armazena não é o número real do cartão — é um token gerado pelo banco emissor.

Pagamentos via Pix com cartão: Algumas soluções de pagamento que combinam Pix e cartão de crédito utilizam tokenização para proteger os dados durante a transação.

Padrões e regulação da tokenização

A tokenização de cartões de crédito segue padrões internacionais estabelecidos pelo EMVCo — consórcio criado pelas principais bandeiras de cartão (Visa, Mastercard, American Express, JCB, Discover e UnionPay) — por meio da especificação EMV Payment Tokenisation.

No Brasil, o Banco Central do Brasil acompanha a evolução das tecnologias de segurança em pagamentos e o Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP) incorpora diretrizes que incentivam o uso de tecnologias como tokenização para reduzir fraudes. A Febraban também publica orientações e relatórios sobre segurança em pagamentos digitais que incluem a tokenização como prática recomendada.

Tokenização e o Open Finance

Com o avanço do Open Finance no Brasil — regulado pelo Banco Central —, a tokenização ganha ainda mais relevância. No contexto do Open Finance, os dados financeiros dos consumidores trafegam entre diferentes instituições financeiras mediante consentimento. A tokenização garante que, mesmo nesse fluxo ampliado de dados, as informações sensíveis dos cartões permaneçam protegidas.

O que fazer em caso de perda ou roubo do celular

Uma das vantagens práticas da tokenização é a possibilidade de revogar tokens remotamente. Se o celular for perdido ou roubado:

  1. Acesse o aplicativo do banco ou da carteira digital em outro dispositivo e desative os tokens vinculados ao celular perdido.
  2. Os tokens associados ao aparelho são imediatamente invalidados, impedindo qualquer uso fraudulento.
  3. Não é necessário cancelar o cartão físico — apenas revogar os tokens do dispositivo comprometido.

Esse processo é possível porque o token é vinculado ao dispositivo específico, não ao cartão em si. O mesmo cartão continua funcional em outros dispositivos e no formato físico.

Dicas práticas para aproveitar ao máximo a tokenização

Prefira carteiras digitais com tokenização: Ao pagar presencialmente, prefira usar Google Pay, Apple Pay ou Samsung Pay em vez de inserir o cartão físico ou digitar os dados. A transação é mais segura e muitas vezes mais rápida.

Mantenha biometria ativada no celular: Pagamentos por NFC geralmente exigem autenticação biométrica (impressão digital ou reconhecimento facial) para confirmar a identidade do titular. Manter esses recursos ativos é essencial para a segurança.

Verifique se o e-commerce usa tokenização: Ao salvar o cartão em uma loja virtual, prefira plataformas que utilizam gateways de pagamento certificados, que armazenam tokens em vez dos dados reais.

Monitore transações pelo aplicativo do banco: Mesmo com tokenização, monitorar as transações regularmente permite identificar rapidamente qualquer atividade suspeita.

Perguntas frequentes

A tokenização é a mesma coisa que criptografia? Não, embora ambas sejam tecnologias de segurança. A criptografia transforma dados em um formato ilegível que pode ser revertido com a chave correta. A tokenização substitui os dados por um código sem relação matemática com os dados originais — a reversão só é possível consultando o banco de dados seguro do emissor do token. Na prática, os dois recursos são frequentemente usados em conjunto.

Meu cartão precisa ser diferente para suportar tokenização? Não necessariamente. A tokenização é gerida pelo banco emissor e pela bandeira, não pelo cartão físico em si. A maioria dos cartões de crédito emitidos pelos principais bancos brasileiros já suporta tokenização para uso em carteiras digitais. Verifique no aplicativo do seu banco se o seu cartão pode ser adicionado ao Google Pay ou Apple Pay.

Se um site sofrer um vazamento de dados, meu cartão fica comprometido? Se o site utiliza tokenização, o que fica exposto é o token vinculado àquela plataforma — não o número real do cartão. O banco pode revogar esse token e gerar um novo para aquela plataforma sem necessidade de cancelar o cartão. Se o site não utiliza tokenização e armazena os dados reais do cartão, o risco é maior — nesse caso, pode ser necessário solicitar um novo cartão.

Termos relacionados

  • NFC (Near Field Communication): tecnologia de comunicação por aproximação usada em pagamentos contactless, que depende da tokenização para segurança.
  • EMV: padrão internacional de segurança para transações com cartões de chip, desenvolvido pelas principais bandeiras.
  • Carteira Digital: aplicativo que armazena tokens de cartões para pagamentos digitais — Google Pay, Apple Pay, Samsung Pay.
  • CVV: código de segurança do cartão; na tokenização, ele nunca é transmitido ao estabelecimento.
  • Open Finance: ecossistema regulado pelo Banco Central do Brasil para compartilhamento de dados financeiros, no qual a tokenização protege as informações dos usuários.

Termos Relacionados

Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras.

Aviso Legal: Este conteúdo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras. As informações apresentadas podem não refletir as condições atuais dos produtos financeiros mencionados.

Nossos Sites